Cuidados com os Olhos
Alzheimer e Parkinson: O Papel do Oftalmologista no Diagnóstico Precoce e Manejo

Alzheimer e Parkinson são doenças neurodegenerativas que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. O que poucos sabem é que os olhos podem ser uma “janela para o cérebro”, revelando sinais precoces dessas condições. Como oftalmologista, explico neste artigo como alterações oculares ajudam no diagnóstico precoce e no acompanhamento dessas doenças, e por que consultar um especialista em visão é parte crucial do cuidado multidisciplinar.
1) Alterações Oculares como Biomarcadores Precoces
Muitas vezes, os olhos mostram sinais de doenças neurodegenerativas antes mesmo do surgimento de sintomas clássicos — a retina é uma extensão do sistema nervoso central.
No Alzheimer:
- Redução da espessura da camada de fibras nervosas da retina (medida por OCT).
- Depósitos de beta-amiloide na retina, detectáveis por técnicas de imagem avançada.
- Alterações nos vasos retinianos (estreitamento arterial e perda de vascularização).
No Parkinson:
- Perda de células ganglionares (dopaminérgicas) da retina, associada a:
- Defeitos no campo visual;
- Redução da percepção de cores (especialmente azul–amarelo);
- Queda da sensibilidade ao contraste.
2) Parkinson: Piscar Menos e Superfície Ocular
No Parkinson, a frequência do piscar diminui (rigidez/bradicinesia), levando a:
- Olho seco por evaporação acelerada da lágrima;
- Visão flutuante e desconforto ocular.
Manejo: lubrificantes oculares, óculos com proteção lateral e, em casos de blefarospasmo, toxina botulínica.
3) Outras Alterações Oculares Comuns
No Alzheimer:
- Lentificação da busca visual (movimentação ocular voluntária);
- Dificuldade de atenção visual;
- Alexia (não consegue ler) mesmo com acuidade preservada.
No Parkinson:
- Blefarospasmo (fechamento involuntário das pálpebras);
- Crises oculógiras (olhos desviam para cima/lados involuntariamente);
- Convergência deficiente (dificuldade para perto/leitura).
4) Como o Oftalmologista Pode Ajudar?
Diagnóstico precoce:
- OCT de retina e nervo óptico para detectar afinamento de camadas;
- Testes de sensibilidade ao contraste e visão de cores.
Manejo de sintomas oculares:
- Lubrificantes no olho seco do Parkinson;
- Lentes com filtros para melhorar contraste.
Encaminhamento multidisciplinar: integração com neurologia, geriatria e terapia ocupacional.
5) O Futuro: Inteligência Artificial e Olhos
Estudos já utilizam IA para analisar imagens de retina e estimar risco de Alzheimer ou Parkinson anos antes dos sintomas — um caminho promissor para prevenção e acompanhamento.
Conclusão
O oftalmologista é um aliado essencial no diagnóstico precoce e no manejo de Alzheimer e Parkinson. Alterações oculares podem ser os primeiros sinais; intervenções simples (como lubrificantes) já melhoram a qualidade de vida. Não subestime sintomas oculares em pacientes neurológicos — eles podem ser a chave para um cuidado mais integral.
Referências consultadas
- London et al. (2013). The Eye as a Window to the Brain in Neurodegenerative Diseases.
- Journal of Parkinson’s Disease (2021). Retinal Changes in Parkinson’s Disease.
- Alzheimer’s & Dementia (2022). Retinal Biomarkers in Early Alzheimer’s.
